- Após um longo período de interregno na publicação de mensagens, justificada pela necessidade de reflexão não só da minha parte como também de todas as pessoas que participam no basquetebol distrital, decidi dar uma opinião acerca do desempenho das selecções distritais e propor um caminho que poderia ser seguido de forma a melhorar a qualidade do nosso basquetebol.
- No que concerne ao desempenho das selecções distritais pode-se considerar que, dentro das capacidades apresentadas pelos nossos atletas, e em comparação com as restantes selecções os resultados foram os possíveis, mas não os alcançáveis. Em primeiro lugar porque os nossos atletas apresentam algumas potencialidades que os poderiam colocar num patamar de competitividade de igual para igual com as outras equipas. Em segundo lugar porque não é sendo premiado, de imediato, com uma ida à selecção quando se inicia a prática da modalidade somente na idade de iniciados, e pouco ou nada se trabalhou, que se conseguem alcançar resultados e os objectivos traçados (se é que eles existem) para uma participação deste âmbito.
- Verificou-se que a maioria dos atletas, apesar de terem dado o seu máximo e se terem batido com o maior empenho e dedicação possíveis, demonstram grandes carências a vários níveis, sendo de salientar, a questão dos fundamentos, da leitura de jogo, e da intensidade a que se consegue jogar.
- Estes tipos de carências não se superam com um ano ou dois de prática da modalidade, são necessários anos e anos de formação e sobretudo de trabalho, para que seja possível aplicar as situações de aprendizagem em ambiente de competição.
- Pode-se então considerar que os escalões mais importantes são os escalões de aprendizagem e iniciação ao basquetebol: os de minibasquete.
- Apesar desta importância regista-se uma grande lacuna ao nível do trabalho que está a ser realizado pelo Comité Regional de Minibasquete, que não tem realizado nenhuma actividade de desenvolvimento e promoção da modalidade, tendo a Associação de Basquetebol da Guarda remetido a atenção e importância para os escalão a apartir de iniciados, coincidente com o inicio das competições do nosso distrito. Com isto os clubes são somente incentivados para a criação de equipas a partir deste escalão (iniciados), de modo a ser possível a existência da A.B.G. e a viabilidade dos campeonatos distritais, o que leva à existência de um fosso do número de praticantes efectivos antes desses escalões (leia-se de competição).
- Além do número de atletas, também é necessário ter em conta as actividades que são propostas aos praticantes, porque não basta serem realizados alguns jogos/torneios de forma pontual. Existe a necessidade de proporcionar aos minis experiências e vivências, adaptadas às suas necessidades e capacidades, que os permitam evoluir e sobretudo viver o basquetebol, para assim no futuro sentirem os ensinamentos que o basquetebol lhe proporciona, e sobretudo saber que existe uma necessidade de trabalho e evolução, para quando chegarem à idade de iniciados, portanto de representarem uma selecção nacional, terem uma bagagem de conhecimentos não só de jogo, mas também de treino e de superação que irão aumentar e muito, a qualidade do trabalho realizado no distrito.
- Em jeito de conclusão e apesar de um dos problemas das preparações das selecções ter uma solução à vista, (pelo menos são as indicações que foram dadas por Orlando Simões na representação da Federação Portuguesa de Basquetebol, com a realização de um acompanhamento desde Setembro e a realização de um conjunto de acções para os seleccionadores distritais), afirmo aqui perante as pessoas que gostam do basquetebol e que lutam por ele no distrito da Guarda, que só voltarei a aceitar o convite para ser seleccionador de basquetebol em representação do distrito quando o Comité de Regional de Minibasquete apresentar um projecto de desenvolvimento desportivo viável e credível que permita aos miúdos e miúdas entrarem no escalão de iniciados com pré-requisitos técnico-tácticos e sobretudo volitivos de trabalho e superação que os permitam competir em pé de igualdade com as outras selecções. Porque mais do que os treinadores, são os miúdos que sentem que estão em inferioridade e a uma longa distância das outras selecções, não aproveitando as actividades e fundamentalmente não retirando o prazer da prática da modalidade e de participação na festa do basquetebol, colocando assim em causa o nosso papel como treinadores e principais promotores da modalidade no distrito.
Saudações Basquetebolísticas
Daniel Branquinho
1 comentário:
Não podia estar mais de acordo com tudo o que aqui foi dito. Acho que ABG apenas existe para manter alguns cargos, porque a nível de trabalho existe muito amadorismo, pelo que, a arrumação da casa tem que começar por cima.
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